sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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Uma imagem de Mãe
A imagem da mãe tem qualquer coisa de sagrado. Jovem - apertando nos braços a criança de seus sonhos - ou avançada em anos, acompanhando com a prece silenciosa os passos dos filhos já distantes, a figura da mãe é quase uma imagem de santa. Porque ela reflete um traço de Deus. De Deus-Criador. De Deus-Amor. De Deus-Providência.
O mês de maio traz-nos à lembrança a significação profunda da mãe. De Mãe por excelência - a Mãe de Deus e dos homens, Maria. E de todas as mães do mundo.
O espírito interesseiro que infeccionou a nossa vida moderna e converteu em oportunidades comerciais todas as festas humanas e cristãs não conseguiu entretanto suplantar o profundo sentido afetivo e espiritual do "Dia das Mães". Porque talvez, na crescente elevação econômica do ho­mem de hoje - quase numa razão direta de sua conquista de riqueza e bem estar, - aumenta igualmente a sua pobreza de amor, a sua carência de ternura, sua indigência das realidades puras e santas que tocam o mais fundo de seu ser.
E a Mãe representa e oferece realmente para o homem contemporâneo o mundo perdido do carinho, da pureza, da sinceridade. Oferece-lhe também o carinho certo do encontro com as realidades sagradas que nos vinculam a Deus e à eternidade.
Esta imagem da mãe, velhinha, a desfiar com suas mãos rugosas e calejadas o rosário de Maria, traduz de alguma forma o mistério sagrado da maternidade.
A mãe que viveu o seu longo ofertório de sacrifício e de entrega, desfiando pelos filhos, uma por uma, as fibras todas de seu ser, jamais renuncia à sua missão quase divina de velar por aqueles que ela criou e educou. E, no ocaso da vida, ao penetrar na solidão quase que astral da ve­lhice, quando já silenciaram os ruídos ale­gres que outrora lhe povoaram o lar, ela se retira a um cantinho para iniciar, no recolhimento da prece, uma nova fase de sua "liturgia" maternal.
Uma dimensão nova - intemporal, misteriosa, que transcende o espaço e as contingências da vida - lhe permite agora acompanhar os filhos distantes. Uma resignação serena converte suas preocupações numa esperança cheia de paz. E em cada conta de seu rosário ela sente a garantia de um passo feliz para os seus filhos que, embora distantes, jamais se ausentaram de seu coração e de seus pensamentos.
Eis uma imagem sagrada que todo filho deveria entronizar e venerar no recôndito de sua alma. Uma imagem tão puramente humana que nos faz acreditar nos valores da vida. E uma imagem, que de tão divina, nos leva a crer nos valores da eternidade. (Ave Maria).
Pe. José dos Santos
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