sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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A Autocrítica Destrutiva

Se tivessem a mesma tendência de autocrítica dos adultos, os bebés nunca poderiam aprender a andar ou a falar. Você pode imaginar bebés batendo o pé no carrinho e  dizendo: "Raios! Errei outra vez!"?
Felizmente, os bebés estão livres da autocrítica. Eles tratam o fracasso como tratam o sucesso; eles simplesmente continuam  a praticar.
A autocrítica é um hábito adquirido, hábito que em geral começa na infân­cia, já que as crianças cometem erros naturalmente e costumam ser o alvo de críti­cas destrutivas.

Há apenas três causas de erro no mundo:
1.  padrões de hábitos negativos (ou inconscientes);
2.  falta de informação ou de experiência;
3.  o fato de ninguém ser perfeito o tempo todo.

Há dois tipos de crítica:
1. a crítica construtiva: "A bola foi um pouco alta demais; tente lançá-la mais
baixo da próxima vez.''
2.       a crítica destrutiva: "Você não fez nada certo; que burrice!"
Se você foi alvo de críticas destrutivas quando criança, é muito provável que a sua jovem psique tenha usado a defesa que lhe estava mais à mão: você in­corporou essa crítica, isto é, começou a criticar a si mesmo severamente a fim de que os outros evitassem fazê-lo. Essa defesa da infância em geral "funciona": ela de fato afasta as críticas dos pais, dos irmãos, das irmãs ou dos companheiros. Mas esse hábito arcaico de criticar a si mesmo para evitar que os outros o façam já não tem utilidade, Se você critica a si mesmo, ainda está carregando o peso do pai, do irmão, da irmã ou do companheiro que foi ruim para você.
Você pode não ter plena consciência de ser uma vítima da sua autocrítica, visto que nem sempre você grita consigo mesmo; mas você pode estar se "recri­minando" de maneiras mais sutis, como se tornando impaciente, frustrado ou de­pressivo.
Usamos a autocrítica do mesmo modo como os outros usaram a crítica con­tra nós: como punição pelos erros. As pessoas que se criticam acreditam que, se se punirem dessa maneira, vão se aperfeiçoar. Mas o oposto é o verdadeiro. Se você se critica (se pune) quando comete um erro, o placar psicológico fica empa­tado: "um erro, uma punição". Você fica livre para cometer o erro outra vez. Quando não critica a si mesmo, você assume a responsabilidade e tem menos pro­babilidades de repetir o erro.
Em vez de combater a si mesmo, veja se pode se tornar o seu melhor amigo.
Seja gentil consigo mesmo. Se você não for seu amigo incondicional, quem vai ser?
Se você estiver combatendo um oponente e também se opuser a si mes­mo, vai ser vencido pelo número.
Mantenha uma atitude de valor pessoal incondicional, livre da autocrítica. Você concorda que é cruel e desnecessário dizer a outra pessoa: "Você é um per­feito idiota! Que estúpido! É melhor desistir! Você comete sempre os mesmos er­ros! Você nunca vai ser bom!"? Se você nunca diria essas coisas aos outros, por que não ter consigo a mesma cortesia?

(Do livro de Dan Milhiiim, O Alicia Interior, publicado peia Editora Pensamento, São Paulo, 1996.]
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