sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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A lua de mel
Todos nós sabemos o que é a "lua de mel", que os dicionários definem assim: "Temporada subsequente ao casamento, durante a qual os recém-casados se com­prazem exclusivamente em sua satisfação recíproca". Porém aqui nos interessa sa­ber, não em que consiste a lua de mel, mas qual a origem desse nome e costume.
É claro que a temporada após o enlace matrimonial é uma época romântica na vida do novo casal; um período em que, ao menos antigamente, os dois, durante a noite permaneciam incontáveis horas ex­tasiados, fitando a plácida e tranquila lua, em seu caminhar majestoso e lento atra­vés dos céus, cortejada por fulgurantes es­trelas. Nesta contemplação eles revivem todas aquelas passadas noites de namoro, realizado à claridade poética do luar. Mas não é dessa poesia experimentada ao cla­rão do satélite da terra que nasceu a ex­pressão "LUA DE MEL".
ORIGEM - A Europa é o berço da lua de mel. Desde tempos imemoriais, os nu­bentes, a partir da hora do casamento, como símbolo inconteste, como prognós­tico certo e como prenúncio infalível duma felicidade matrimonial completa, durante uma lua ou seja pelo espaço de um mês, tempo da duração das bodas, bebiam somente hidromel, uma infusão de água e mel fermentados, uma espécie de vinho sagrado, que nos recuados tempos do pa­ganismo, era considerada a bebida celes­tial dos deuses. Temos conhecimento de que, em 1860, nos Estados Unidos, uma lua de mel arrastou-se por todo o verão.
PROPRIEDADES - O hidromel, tam­bém chamado água-mel, é o resultado da fermentação de água e mel, produzindo uma bebida inebriante, que por sua cor, gosto e propriedades se parece com os melhores vinhos brancos, a ponto de po­der enganar os mais abalizados conhece­dores de vinho. A fermentação, por causa do ácido fórmico, que o mel contém, de­mora além de dois meses e somente de­pois de meio ano o "metheglin" está em condições de ser degustado. A grande En­ciclopédia Luso Brasileira da a fórmula para preparar o hidromel: infundir 50 (cin­quenta) gramas de mel em 500 (quinhen­tas) gramas de água. O produto asseme­lha-se ao vinho licoroso; é excessivamen­te digestivo e laxativo, provocando a em­briaguez, pois a fermentação transforma a doçura do mel em álcool.
O cientista Beaumier escreve: "O hi­dromel embriaga mais rapidamente que o vinho, mas é bebida estomacal e cordial, visto ser próprio para reanimar as funções vitais, acelerando os movimentos do san­gue".
 HISTÓRIA - O nascimento do hidro­mel se perde na bruma dos tempos. O ve­lho Homero diz que era servido nas liba­ções em honra dos manes (almas dos mortos). Na mitologia escandinava era o licor apresentado aos heróis, quando, após a vitória, se assentavam para comer carnes de javali e beber hidromel, servido por encantadoras virgens nos crâneos dos inimigos. Os germanos preferiam o hidro­mel à própria cerveja. No século 19, o hi­dromel entrou nos conventos e era usado como tonificante. Com o perpassar dos anos foram aparecendo numerosas fór­mulas para produzir bebidas licorosas, que por serem mais rápidas, fáceis e bara­tas de obter, marginalizaram o hidromel e praticamente o fizeram desaparecer. Mas apesar do quase desaparecimento do divi­no hidromel, não desapareceu a encanta­dora e doce "lua de mel".

pe. António D. Lorenzatto
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