sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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O Beijo de Deus
Os pensamentos gostam muito de confun­dir a gente. Eles ficam feito uns diabinhos loucos dançando na frente da gente, se di­vertindo: "EÍ, agora é a hora da raiva. Va­mos, mais raiva, mais raiva, ah, ah, ah...". E ficam assistindo às nossas reações de cama­rote. Armamos então a maior briga, acaba­mos sempre apanhando e aí os diabinhos falam: "Poxa, apanhou, hein? Você devia ir lá revidar. Você tá meio besta." Pronto! Co­meça tudo de novo. É uma história fantásti­ca, nós criamos esta história. Muitas pesso­as me perguntam como podem transformar a energia da raiva. A transformação da rai­va, ou de qualquer outra emoção, só ocorre quando você tem uma causa na vida maior que você mesmo/mesma, um propósito que lhe tome e pelo qual você seja apaixonada/ apaixonado. Tudo pode se transformar em nome disso, pois escutamos uma voz pode­rosa, algo maior que diz dentro da gente: "Es­tou aqui. Calma. Deixe, deixe, morra, mor­ra...". Apesar de saber que o ego pode retornar a qualquer momento com mais for­ça, com mais violência, Deus sabe mais ain­da da força de cada Ser, da capacidade inte­rior dos Seus filhos. Ele dá cada experiên­cia incrível para cada um, como parar a sua mão no ar quando sua vontade é dar uma bofetada em alguém. Faz você voltar para si na hora mais intensa da raiva. E isso dói. É a própria morte do ego. É incrível porque se você questionar essa energia que volta, ela dói demais, mas se você pega essa energia e coloca no seu serviço, na sua causa, ela se transforma e você começa a criar, criar, cri­ar. A desconexão da causa nos enlouquece, nos fere, nos mata, nos faz violentos. Só a causa nos faz calar, entende? Faz a minha alma viver e o meu-ego morrer. Mas se a gen­te não tem uma causa fica tudo muito egóico, e numa causa egóica o ego tem que viver. Então perde-se o sentido mítico da exis­tência, perde-se o sentido espiritual da vida, perde-se o invisível, a poesia. Neste exalo instante Deus está escolhendo pes­soas para que ultrapassem as emoções e cresçam. E quando Ele diz: "Vocês vão crescer'1, é porque Ele vê o tesouro que existe em cada um, e que normalmente não conseguimos ver. Cada experiência é um degrau para que cada um possa encontrar o seu próprio tesouro e ver o ouro brilhan­te dentro de si. Percebo que quanto mais rico o tesouro, mais degraus o ser precisa subir. É uma confiança absoluta que Deus tem em nós. O que me habita é uma célula do Cirande Ser. A consciência deste Gran­de Ser toca a minha própria consciência interior e me faz despertar. Observe. Às vezes é uma palavra que me faz desper­tar. É um gesto, é uma flor se abrindo, é o choro de alguém... Quer dizer, o Grande Ser me faz despertar, Ele mesmo em mim. Então Ele toca Ele mesmo. E a Bela Ador­mecida desperta. Estava dormindo há cem anos, e como uma magia, vem um prínci­pe chamado Deus e me dá um beijo... En­tão tudo em mim desperta! Começo a ter consciência de cada instante da minha vida, cada ato, cada palavra, cada gesto... E daquele instante em diante eu só quero este beijo, não mais outro beijo, porque quem experimentou a consciência nunca esquece o gosto... Esse é o beijo de Deus.
Devoção:   Alba Mari
Organização do Texto: Wayra Silveira
Revista xamã.
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