sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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     A Crença nos Anjos

  Centenas de milhões de pessoas em todo o mundo acreditam na existência dos anjos. Para alguns, a crença nos anjos reflete sua segurança de que as escritu­ras de suas religiões são a palavra reveladora de Deus. Os livros sagrados das três principais religiões monoteístas do Oriente e do Ocidente - o judaísmo, o cristia­nismo e o islamismo - contêm muitas referências aos anjos no céu e na terra. Destarte, para as pessoas com inclinações religiosas, a menção freqüente dos an­jos na Bíblia, no Corão e em outros escritos ortodoxos é prova suficiente da exis­tência dos anjos.
Para outros, a crença nos anjos ocorre como uma observação "científica" deduzida a partir da ordem natural dos animais e dos vegetais. Filósofos famosos explicaram a existência dos anjos usando o que se chama de a Teoria da Cadeia dos Seres. O argumento diz o seguinte: há uma cadeia ininterrupta na natureza, de complexidade biológica e de capacidade intelectual cada vez maiores. Na vida na­tural da terra, essa cadeia tem início na base com os organismos vegetais mais simples, e ela abre caminho para cima passando por todas as espécies vegetais e animais até chegar aos seres humanos. As diferenças entre os sucessivos "elos" - ou formas de vida - nessa cadeia são relativamente pequenas.
Pelo fato de a diferença entre a natureza dos humanos e de Deus parecer tão grande, por força deve haver seres inteligentes formando o elo, ou elos, na cadeia entre os humanos e Deus. Assim como os humanos, "embaixo" da cadeia, olham para as espécies animais e vegetais, eles deveriam também ser capazes de olhar "acima" os seres superiores a que chamamos anjos.
Explicando de modo simples, esse argumento afirma que os anjos existem porque, como conclui Santo Tomás de Aquino, eminente erudito e teólogo medie­val, "o universo seria incompleto sem eles".
Assim como os anjos preenchem uma aparente lacuna no universo físico, eles também podem ocupar um importante vácuo psicológico no universo interior dos homens. Na condição de inteligências benignas posicionadas biológica, inte­lectual e espiritualmente entre nós mesmos e Deus, os anjos são um intermediário palpável entre os homens e o poder misterioso que é considerado a fonte de toda a vida, de toda energia e de toda ordem na criação.
Para muitas outras pessoas, os dogmas da fé religiosa e os argumentos cien­tíficos ou filosóficos que testificam a existência dos anjos são desnecessários. Para elas, a realidade dos anjos é evidente por si mesma. Elas acreditam que vêem ou percebem diretamente a presença e a influência dos anjos em suas vidas - al­gumas pessoas ocasionalmente, algumas diariamente, outras constantemente. Em­bora muitas pessoas durante muitos séculos tenham escrito sobre sua experiência pessoal com os anjos, a grande maioria que se sente tocada por eles não escreveu sobre isso; contudo, a experiência com os anjos por parte dessas pessoas, que não deixaram relatos por escrito, não é menos importante do que a experiência dos que se inclinam a reparti-la com os demais.

( do livro de David Connolly, Os Anjos...)
Almanaque do pensamento
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